Lideranças religiosas e pesquisadores criam Fórum Permanente em defesa da Amazônia durante Colóquio na UFRR
BOA VISTA (RR) – No último sábado, o auditório do Bloco 01 da Universidade Federal de Roraima (UFRR) sediou o Colóquio “Fés e Vidas”. O evento, que reuniu lideranças religiosas de diversas matrizes, movimentos sociais, pesquisadores e estudantes, debateu a intersecção entre ecologia, pluralismo político e direitos humanos, culminando no anúncio de uma articulação permanente para o estado de Roraima.
O encontro contou com o apoio institucional do grupo de pesquisa FPEC-UFRR e da Rede Amazonizar, plataforma intercultural atuante na Amazônia. Durante a abertura, o Dr. Elianildo Nascimento, membro do Conselho Global da URI (United Religions Initiative), enviou uma videomensagem direto de Brasília reforçando que a promoção da paz, do diálogo e a defesa dos direitos humanos são responsabilidades intrínsecas e inadiáveis das instituições religiosas no cenário contemporâneo.
A realidade local e os desafios humanitários transfronteiriços marcaram os debates do período matutino. A Irmã Terezinha Santi, presidente da Cáritas da Diocese de Roraima, trouxe contribuições densas sobre o trabalho de acolhida e garantia de direitos à população migrante e refugiada na região, além de experiências vivenciadas no campo da diaconia social e do diálogo ecumênico. Na linha da ação socioambiental urbana, o Apóstolo Rogério Xavier, coordenador da Brigada Ambiental Ninho de Águia, socializou as experiências de mobilização e educação ecológica desenvolvidas nas periferias de Boa Vista.
Metodologias de Escuta e Diálogo Crítico
O Colóquio diferenciou-se pelos formatos metodológicos horizontais. O Reverendo Iuri Lima, clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e coordenador geral da Rede Amazonizar, liderou a chamada "Dinâmica do Aquário" (Fishbowl), metodologia que prioriza o tempo equitativo de fala e o exercício da escuta ativa entre os participantes, gerando um ambiente de acolhida mútua.
Em seguida, o Professor Giordano Cássio, pesquisador e doutorando em Ciências da Religião (Faculdade Unidas-ES), tensionou positivamente a plenária ao destacar a necessidade de superar fraturas ideológicas e dogmáticas em prol de uma agenda ética comum. Segundo o pesquisador, a gravidade da crise socioambiental e cultural da Amazônia exige das religiões uma dedicação conjunta e prática.
A sistematização das propostas ficou sob a responsabilidade do Professor Tiago Nicolau, docente da UFRR e representante da Rede Amazonizar no estado, que mediou uma roda de conversa voltada a traçar as linhas de continuidade das discussões em Roraima, a partir das proposições apresentadas com ênfase no que é preconizado pelos Direitos Humanos e na ótica da inter culturalidade.
Resultado Prático: Cuidado com a Casa Comum
Ao final do evento, as organizações e lideranças presentes pactuaram a criação do Fórum Permanente de Diálogo Intercultural na Amazônia. A iniciativa funcionará como um laboratório regional de articulação de experiências conjuntas, conectando os trabalhos já realizados pelas diferentes denominações nos campos da educação, preservação ambiental, direitos humanos e mobilização social, fortalecendo a sinergia entre a academia e as bases comunitárias do estado.
