Rede Amazonizar Consolida Diálogo Ecumênico e Lança Plataforma Digital em Defesa da Amazônia


Com a presença de lideranças religiosas, acadêmicos e movimentos sociais, evento no bairro da Compensa marcou o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e reforçou a articulação intersetorial pelos direitos humanos e ecologia urbana.

MANAUS (AM) – Em um cenário global onde a urgência climática exige respostas que superem dogmas e fronteiras institucionais, a Rede Amazonizar realizou, neste sábado, o Diálogo Ecumênico sobre Ecoteologia. Sediado na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro da Compensa sob a acolhida do Pároco Pe. Ricardo Castro , o encontro não apenas encerrou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em Manaus, mas consolidou-se como um marco político e social na articulação em defesa dos Direitos Humanos e do meio ambiente na região.


​O evento reuniu um mosaico representativo da sociedade civil manauara: pesquisadores, acadêmicos, coletivos sociais e lideranças de diferentes matrizes cristãs. O ponto alto da programação foi o lançamento oficial do site da Rede Amazonizar. A plataforma, coordenada e apresentada por meio de uma mensagem de acolhida do Pastor Antônio Victor, da Comunidade Evangélica Hesed (PA), nasce com a premissa de ser um instrumento de transparência, difusão do diálogo inter-religioso e fortalecimento da ecologia integral na Pan-Amazônia.


​Análise Crítica: O lançamento desta ferramenta digital representa um salto qualitativo na organização dos movimentos socioambientais da região. Ao centralizar dados, articular redes e dar visibilidade às ações locais, a Rede Amazonizar descentraliza a informação e empodera as comunidades de base, conferindo-lhes voz em um ecossistema de comunicação muitas vezes dominado por narrativas externas à Amazônia.


​Tecnologia, Teologia Prática e a Crise dos Igarapés
​A programação uniu a sensibilização tecnológica à urgência do debate técnico-científico. Através da parceria com a Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais (IRI Brasil), os participantes vivenciaram uma experiência de imersão em óculos 3D com a exibição do Filme Amazônia, aproximando a tecnologia da educação ambiental.


​No campo da teologia prática, os acadêmicos de Teologia da Faculdade Boas Novas, acompanhados pelo Pastor Oséias Marinho (Assembleia de Deus do Amazonas), apresentaram o projeto Eco Igrejas, demonstrando que a práxis religiosa contemporânea caminha lado a lado com a responsabilidade ecológica de base.

​A dimensão política e estrutural do debate foi conduzida pelo Prof. Bibiano Simões, Coordenador da Comissão Interinstitucional de Proteção aos Igarapés de Manaus e membro da Comissão de Ecologia da Arquidiocese. Em sua intervenção, Simões expôs as severas preocupações com os cursos d'água da capital amazonense e detalhou o trabalho de articulação intersetorial alinhado à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.


​A abordagem de Simões evidencia que a defesa dos igarapés em Manaus não é apenas uma pauta de saneamento, mas uma questão civilizatória e de direitos humanos, dado que as populações periféricas são as primeiras e mais afetadas pelo racismo ambiental e pela degradação hídrica.
​Interdependência e Unidade


​O encerramento do encontro resgatou a ancestralidade e a mística regional através de uma dinâmica oracional mediada por uma religiosa da Congregação de Nossa Senhora Cônega de Santo Agostinho. Ao som da música popular amazonense, os presentes foram convidados a refletir sobre a profunda interdependência entre a existência humana e a preservação da floresta.


​O Diálogo Ecumênico sobre Ecoteologia da Rede Amazonizar deixa claro que a fé, quando despida de fundamentalismos e aliada à ciência e aos direitos humanos, torna-se uma das ferramentas mais potentes de resistência e transformação social na Amazônia contemporânea.

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