A "morte" do jornalismo brasileiro oferece esperança de ressurreição?


Seja com diploma ou sem diploma, acompanhamos com apreensão as fissuras na estrutura do Estado Democrático de Direito no Brasil. 

Por sermos um órgão de jornalismo independente, enfrentamos todos os dias as inúmeras dificuldades que nos impõem a crise pela qual o país está passando desde a redemocratização.
A máquina estatal se traveste de "democrática", mas o modo de operação ainda é de inspiração ditatorial. 

Políticos, ministros, empresários e toda sorte de criminosos e contraventores, se inflam de ódio contra o jornalismo investigativo, quando este traz à luz aquilo  que antes estava escondido. É indesejável para essas pessoas que outros saibam o que trameiam entre si.

Bem falou o geógrafo Milton Santos que os poderosos jamais permitiriam às massas o pleno direito à informação, pois isso significaria conferir-lhes poderes que colocariam em xeque a estrutura elitista e dominante que perpetradamente sustenta a pirâmide social desse país há séculos. Em um território onde informação significa poder, resta à grande maioria o "pão que cai das mesas", isto é, o subproduto da notícia, ou seja, o simples factual, enquanto que a verdadeira informação segue como monopólio de uma pequena casta que lucra muito dinheiro com ela.

E por falar em meios de comunicação, a superestrutura do governo se ressente até hoje de ainda não ter conseguido regulamentar as redes sociais, como fez com o rádio, a TV, etc... Tal intento, em nada se confunde com o legítimo interesse de tornar o ambiente digital um espaço mais seguro, senão de impetrar a vigilância e o controle, já que o Brasil não consegue efetividade nem mesmo na coerção de crimes contra a vida dos seus cidadãos, imaginem aqueles praticados em meios virtuais [...].

Com o livre acesso às plataformas digitais, qualquer pessoa hoje é capaz de relatar fatos do cotidiano, sem precisar de uma licença da ANATEL e de investimento em superequipamentos. Isso gera um conflito de interesse ao governo, já que os meios de comunicação se comportam como aparelhos ideológicos do Estado. 

O oligopólio da mídia, serve exatamente para que os poderosos realizem seus próprios interesses, concorrendo para uma sociedade alienada e sem capacidade crítica de pensar acerca do próprio destino. Na Amazônia, por exemplo, boa parte das emissoras de rádio e TV estão sob o domínio de pessoas ligadas ao governo.  São estes os responsáveis pela formação de heróis e vilões, já que manipulam a opinião pública como se fossem "especialistas" em alguma coisa. Quem sabe, na arte de enganar, entreter e fazer a lógica do patrão!

Talvez o que esteja em jogo não seja a aplicação da exímia técnica do jornalismo profissional, mas sim a ética na comunicação social. Nesse quesito, diploma de nenhuma profissão é capaz de transferir ao indivíduo algo que se alimenta das suas próprias escolhas.

O direito de relatar e usar a palavra para opinar em uma democracia é proeminente. Se seguirmos a lógica de que um jornalista só pode escrever uma matéria se gozar das prerrogativas de um Diploma de nível superior, logo também o país precisará discutir a questão do voto popular. Pois, se seguirmos esse raciocínio, também os eleitores possuem uma responsabilidade enorme, já que o voto determina o futuro da saúde, da educação, da economia, da segurança, etc., não podendo ser exercido, em tese, por pessoas que não tenham o mínimo preparo para deliberar acerca dessas questões.

O presidente do país não possui um diploma de graduação em nível superior!
Ministros do STF são indicados politicamente, sem sequer terem se submetido a um concurso público para a carreira da magistratura.

Isso é grave!


Querem matar o jornalismo brasileiro, utilizando uma justificativa pífia de que hoje qualquer pessoa se diz jornalista e exige as prerrogativas. E nem é bem assim... pois existem regras para obtenção do registro!

Ora, são os próprios políticos que pervertem a coisa. Se privilegiam de outorgas no Ministério das Comunicações, financiam páginas e portais de notícias para enganarem a população e depois, quando o jogo se inverte, se fazem de vítimas e se unem para mudar as regras em benefício próprio.
Isso não é um problema de diploma, mas sim de ética e educação moral.

Desinformação se combate com educação. Mas, é difícil para os governantes assumirem o fracasso da política pública de educação brasileira.

Em um lugar onde notícia virou mercadoria e o analfabetismo funcional é uma verdadeira pandemia, como seguir fazendo jornalismo? Principalmente quando boa parte das pessoas não conseguem nem mesmo interpretar o sentido figurativo de uma palavra entre aspas.


A "morte" do jornalismo brasileiro oferece esperança de ressurreição?



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